sexta-feira, 22 de setembro de 2017

SBT RP rescinde contrato com produtora e funcionários são demitidos sem receber

Silmara Moraes foi uma das funcionárias mantidas e agora apresenta o "SBT RP Verdade" - Reprodução/SBT

SBT RP, filial da rede de Silvio Santos que cobre 85 cidades na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, passou por uma grande reformulação em agosto que vem gerando imbróglios nos bastidores, envolvendo uma ex-produtora parceira.


Com informações do site Na Telinha

Por Thiago Forato

No dia 4 de setembro, o canal tomou as rédeas da produção e estreou de uma só vez os programas "SBT RP Verdade", "SBT RP Shopping" e o "SBT RP Esportes", após romper contrato de coprodução com a Mercado Filmagens, que realizava o "SBT Noticidade" e "Oferta Mix TV", de varejo.

Com isso, 16 pessoas foram demitidas pela produtora, sendo nove que trabalhavam no"Noticidade" e outras sete no "Oferta". Os funcionários dispensados estão revoltados. Apenas quatro, incluindo a apresentadora Silmara Moraes, foram mantidos.

No entanto, os que ficaram teriam sido orientados a se demitirem da Mercado Filmagens e a renunciarem a seus direitos. Feito isso, foram contratados diretamente pelo SBT RP.

A coprodução entre Mercado Filmagens e SBT RP sempre foi alvo de falatório nos bastidores. Com estrutura física em Ribeirão Preto, ninguém entendia a necessidade de uma produtora realizar seu produto jornalístico, por exemplo. Foram 11 anos de parceria.

A relação entre as duas já estava estremecida nos últimos meses. Segundo informações obtidas pelo NaTelinha, a Mercado reclamava que o repasse do SBT não sofria reajuste, ficando defasado há tempos.

A estrutura enxuta e a falta de um investimento maior não impediu o "Noticidade" de pular do quarto lugar em 2013 para o segundo já em 2014. O jornal tinha uma boa aceitação e existia desde 1999. Giuliano Marcos, hoje na RecordTV em São Paulo, já passou pelo programa no interior paulista. Era uma marca.

Uma das reclamações dos funcionários era, além da falta de investimentos, a contratação como radialistas e não jornalistas. Na demissão com o rompimento do acordo entre SBT RP e Mercado Filmagens no último mês, a produtora teria dito, segundo fontes do site, que os demitidos entrassem na Justiça para receberem seus direitos, pois ela não teria como pagar.

Falando em pagamento, os funcionários não teriam recebido salário por dois meses: julho e agosto. O vale-refeição teria deixado de ser pago por três. No aviso prévio a ser cumprido 30 dias antes do desligamento, muitos estavam pagando para trabalhar. Um teria saído antes que ele terminasse.

Até uma moça grávida foi mandada embora, segundo relatos, o que é contra as leis. Os funcionários, então, decidiram entrar mesmo na Justiça, como orientou a produtora para receberem seus direitos. Não só contra a Mercado Filmagens, mas também contra a emissora.

Procurado pelo site NaTelinha, o SBT afirmou que a Mercado Filmagens descumpriu cláusulas do contrato e não há a possibilidade do canal pagar a conta da rescisão dos funcionários demitidos, já que esta responsabilidade não era sua.
A criação dos novos programas ("SBT RP Verdade", "SBT RP Esportes", "SBT RP Shopping"), ainda segundo o SBT, é uma estratégia de programação para fortalecer a marca.

Numa série de questionamentos enviadas à Mercado, apenas uma posição: que a produtora sempre cumpriu integralmente todas as cláusulas de contrato com o SBT RP.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Dia do Radialista, hoje, é menos comemoração e mais preocupação



Por Ronaldo Werneck

Responsáveis por garantir qualidade técnica na produção, gravação e transmissão de programas de rádio e TV no Brasil, os radialistas deveriam comemorar seu dia alusivo neste 21 de setembro. Deveriam. Mas esta data, por conta da atual conjuntura, nos leva a refletir que, o que devemos ter, de fato, é mais preocupação.

Com duas datas comemorativas no calendário, uma institucionalizada por uma canetada do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra comemorada pela categoria pela relevância histórica - 21 de setembro de 1943, o então presidente do Brasil Getúlio Vargas instituiu o piso salarial mínimo para a categoria. - os radialistas brasileiros precisam de algo fundamentalmente para comemorar.

Radialistas produzindo programa na TV Gazeta

No Brasil, após golpe que destituiu a ex presidenta Dilma, os trabalhadores brasileiros acompanham, com reações pontuais, aos ataques indiscriminados as conquistas garantidas por anos de luta. Com a categoria dos radialistas não é diferente. 

Após a reforma trabalhista, seguindo receituário patronal de relações do trabalho, os legisladores impuseram uma séria derrota aos trabalhadores, que ainda não foi sentida porque as mudanças começarão a ser implementadas no início de novembro deste ano.

Fracionamento de férias, prevalência do negociado sobre o legislado, rescisão por acordo, redução de tempo para o horário do almoço, trabalho intermitente entre outras tantas malvadezas colocarão a categoria a prova de sua organização.

Operador de câmera em ação

O fato é que não dá mais para esperar que nossos direitos "caiam do céu". Os patrões de rádio e TV acostumados a fazer um "passa muleque" nos trabalhadores desorganizados, agora terão o respaldo da legislação trabalhista para fazer isso. Sem pudor algum. Como se algum dia tivessem alguma vergonha na cara.

Aos radialistas lhes sobram, como referência, sua história de luta e organização. Trabalhadores sindicalizados ganham mais e tem seus direitos respeitados, quando organizados. Por isso, uma motivação para comemorar seria reascender o ímpeto de uma categoria que em 1978 conquistou uma legislação própria em que garantiu à sua categoria mais de 90 funções regulamentadas e com diversas funções com carga horária reduzida. 

Suíter, local de trabalho do diretor de TV

Lembrar de nossa história é uma maneira importante de nos inspirar a nos organizar como classe e avançar como categoria.

Radialista brasileiro dia 21 de setembro tem de ser o seu dia de luta. Lute para poder comemorar.