segunda-feira, 30 de maio de 2016

Sindicato dos Radialistas promove encontro que aborda tema sobre controle ideológico dos trabalhadores





Em meio a evolução tecnológica e do conhecimento, a manipulação de mentes e corações.

Nem bem aportamos em 2016 e o ano prometia. De lutas à vitórias, misturada com a imprevisibilidade. Ou previsível?

A crise econômica mundial, é narrada como nacional pela mídia tupiniquim e, na esteira dela, a oposição conseguiu tarimbar a crise política numa sucessão de vitórias até a deposição, mesmo que provisória, da presidenta Dilma Rousseff, com a instalação do processo de impedimento. 

Os trabalhadores, alguns atônitos, outros organizados e outros, ainda, levados pela manipulação midiática, se reúnem em camadas a favor e contra o governo eleito por milhões, tendo apenas um ponto de convergência, que é a não aceitação de um governo ilegítimo, que tenta implementar o projeto derrotado nas urnas em mais de 4 vezes.

No interior do estado, além do pensamento provinciano, atrasado, reacionário e muitas das vezes coronelistas dos patrões de rádio e TV, se soma a um fenômeno que se amplia largamente aos trabalhadores por conta do desenvolvimento tecnológico; o assédio moral e a falta de consciência de classe, que é distanciamento da percepção da realidade no local de trabalho. 

O alienado político, do trabalho e da vida social, na qual somos geneticamente imbuídos a viver, se comporta como um zumbi, ao caminhar na beira de um lago repleto de crocodilos, sem consciência do que está acontecendo.

O Sindicato dos Radialistas em sua sétima edição promove um encontro com os radialistas do interior do estado para discutir essas questões, que influenciam para o bem e para o mal a vida desses trabalhadores. O encontro será realizado na cidade de Campinas, segunda maior cidade do Estado de São Paulo, que tem uma quantidade significativa de trabalhadores de nossa área devido as inúmeras emissoras de rádio e TV da cidade e região.

Não é possível, em meio a tanta revolução tecnológica e do conhecimento, acreditar que as diversas crises a que somos submetidos não tem haver como algo planejado com o interesse de fazer os trabalhadores não serem conscientes desse processo de controle de mentes e corações. 

Não é aceitável, para esta diretoria sindical, compreender os mecanismos que acorrentam os trabalhadores a serem passivos às chicotadas que levam em suas vidas, sem reagir. E a única forma de impedir isso é promover o conhecimento.

Neste sétimo encontro dos radialistas do interior, trabalhadores de rádio, TV, de produtoras, estudantes de comunicação e observadores, poderão ter a oportunidade de compreender e se conscientizar do papel imperativo, que os trabalhadores organizados, com consciência de classe, tem ao direcionar o combate contra a manipulação e exploração de seu trabalho. De se imunizar as tentativas de cooptação cultural na qual somos cotidianamente submetidos.

O convite é extensivo a todos os trabalhadores de empresas de rádio e TV no estado de São Paulo. Interessados em participar, fora deste escopo, serão analisados pela coordenação do encontro para deferimento ou não, de participação. Para isso todos, sem exceção, devem fazer seu cadastro do link abaixo.

Não perca a oportunidade de fazer parte do grupo de trabalhadores que buscam o aprimoramento político e profissional, num evento que promete mudar sua concepção de relação no seu trabalho e até de sua vida.

Pode ter certeza que sua família, sua categoria e sua evolução profissional tem muito a ganhar.

Participe!

Se inscreva aqui.



O 7º Encontro dos Radialistas do Interior do Estado de São Paulo acontecerá nos dias 15, 16 e 17 de julho, na cidade de Campinas.

O tema geral do encontro é A Crise é cibernética? e será desenvolvido em 3 grandes momentos: Análise de Conjuntura, Assédio Moral no Local de Trabalho e Novas Tecnologias x Novas Doenças.


As inscrições deverão ser realizadas até o dia 24 de junho com um dirigente sindical da sua região. Mais informações pelo e-mail diretoria@radialistasp.org.br

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Ataque aos direitos dos trabalhadores se avizinha

 Michel Temer-PMDB


Por Ronaldo Werneck

Se tem algo que o trabalhador tem afirmado, ultimamente, é que não gosta de política. Mas política todos nós fazemos e devemos fazer. Na verdade política é a arte de defender ideias. Sem a política não conseguimos evoluir como sociedade. Acontece que a narrativa a respeito da situação política nem sempre é comprometida com os fatos. A narrativa feita pela mídia corporativa atende seus interesses e de quem a financia.

 O Brasil passa por um momento muito delicado. Não é segredo que o governo Dilma tem sido questionado pelos trabalhadores e, principalmente pela oposição, desde quando ela ganhou as eleições. No caso da oposição desde quando perderam a eleição. Foram  os boatos de que as urnas haviam sido fraudadas. Logo em seguida o PSDB, que teve seu candidato derrotado, entrou com processo de recontagem dos votos, questionando o resultado eleitoral. E assim por diante. Chegaram ao ridículo de entrar com pedido no TSE para que diplomassem Aécio em vez de Dilma. Segue então o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, em torno de denúncias, sucessivas, sobre a Petrobrás. Nesse processo, funcionários graúdos da estatal, diretores de empreiteiras, agentes públicos, dirigentes partidários e parlamentares, seletivamente, foram sendo acusados, presos e, posteriormente, alguns, elevados a posição de delatores, para terem suas penas atenuadas.

Nesse jogo político o papel dos meios de comunicação tem um peso muito grande. Tendo seu candidato Aécio Neves-PSDB derrotado, a mídia, seletivamente, organiza um espetáculo televisivo, que tem elevado o desgaste que o governo Dilma vem sofrendo. Ora erros do governo e pela crise econômica mundial, que é retratado pela mídia empresarial, como se fosse apenas no Brasil, ora pela crise política, capitaneada pela oposição e insuflada por esses próprios meios de comunicação, que se partidarizaram.

Acontece que nessa briga, os trabalhadores estão pagando a conta. Como sempre. Este mês o nível de desemprego no país bateu dois dígitos. As lutas e conquistas dos trabalhadores nos últimos anos correm o risco de serem suprimidas, principalmente onde não há organização e disposição de luta. A classe trabalhadora, hoje, como num equilíbrio sobre uma corda, tem de decidir em optar por um governo inerte, frente aos ataques do mercado financeiro e do setor produtivo, somado ao papel da mídia. Ou a deposição do governo Dilma, num flagrante rompimento da ordem institucional, em que as consequências já foram anunciadas aos trabalhadores, através de um projeto do PMDB, denominado Uma Ponte para o Futuro, em alternativa a política econômica, social, previdenciária e trabalhista que seguia com este governo.

Nas proposta do PMDB, ao assumir a Presidência da República, com a destituição da presidenta Dilma, o retrocesso das conquistas dos trabalhadores é eminente. Proposta como a terceirização da atividade fim nas empresas, a quebra da partilha da Petrobrás e, principalmente o foco no desenvolvimento centrado na iniciativa privada, anuncia o estado mínimo (neoliberalismo) e a projeção de privatizações de empresas estatais estratégicas.

É o fim de um ciclo, onde boa parte dos trabalhadores se acostumaram com o reajuste com ganho real do salário mínimo, calçado em legislação própria. É o fim ou diminuição drástica de programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, FIES, PROUNI, dentre outros, pois o documento anunciado pelo PMDB é uma clara demonstração de seu compromisso com os patrões e o capital internacional e menos com o desenvolvimento estratégico do Brasil.

A pergunta fica; onde devem estar os trabalhadores nessa disputa pelo poder? Acredito que devem ficar na defesa de seus interesses de seus direitos e de suas conquistas. Tem de estar na defesa da democracia, da ordem institucional, onde não deve haver ruptura.

Na verdade os trabalhadores devem estar organizados e mobilizados. Sem isso, companheiros, a classe trabalhadora tem sempre a perder.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Morre aos 83 anos o metalúrgico e líder sindical Waldemar Rossi

Waldemar Rossi - 1933 - 2016

Por Ronaldo Werneck

Faleceu ontem (04/05) Waldemar Rossi. Companheiro de incansáveis lutas, Rossi não está mais entre nós.  Internado no Hospital do Servidor Público há quase um mês, com o coração fraco e corpo debilitado, permanecia junto aos seus familiares, que se revezavam para lhe fazer companhia no hospital. 

Waldemar Rossi nasceu em Sertãosinho, interior de São Paulo, em 17 de agosto de 1933. Católico fervoroso, veio para capital em 1960, para trabalhar na coordenação da JOC - Juventude Operária Católica. Logo no início dos anos 60 começou a trabalhar no setor industrial, de onde se tornou referência para os trabalhadores, não só católicos. Veio daí sua militância sindical. Tornou-se dirigente da pastoral operária e em 1967 encabeçou a "Chapa Verde", em oposição aos interventores, que estavam a serviço da ditadura militar, que assolava o país. Os interventores administravam o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Incansável pela luta dos trabalhadores, em 1972, Rossi, pela segunda vez, organiza outra chapa para disputar a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Durante esta década de 70, atua na organização de comissões de fábricas clandestinas e, em 1980, participa ativamente da construção da CUT - Central Única dos Trabalhadores - e do Movimento de Oposição Sindical Metalúrgica. Também foi um dos fundadores do PT - Partido dos Trabalhadores -.

Sua história é um misto de luta e compromisso com a classe trabalhadora. Travou o bom combate. Metalúrgico aposentado, sempre gentil, também esteve presente na Comissão Nacional da Verdade, que investigava os crimes da Ditadura Militar no Brasil. Companheiro Waldemar deixa sua companheira Célia, seus cinco filhos, além de genro, noras e netos. 

Segundo informações levantadas pelo Blog dos Radialistas, o velório do corpo será realizado no Sindicato dos Metroviários de São Paulo, logo nesta manhã de quinta feira (05/05), e seguirá para Catedral da Sé, onde será celebrada missa de corpo presente às 14h00. No final da tarde segue para Crematório de Vila Alpina, onde o corpo será cremado.

Waldemar Rossi, presente! Agora e sempre.


Com informações de Alessandro Moura

Mais sobre Waldemar Rossi:






domingo, 1 de maio de 2016

No 1º de Maio, no Dia do Trabalhador, é um registro da história de luta de classes

Cartaz comemorativo em memória dos Mártires da cidade de Chicago-EUA


O Dia do Trabalhador é celebrado em vários países do mundo, mas muita gente não conhece a história por trás desta data comemorativa.

Por Me. Cláudio Fernandes  no Brasil Escola

Desde o fim do século XIX, nos Estados Unidos da América, no Brasil e em vários outros países ocidentais, o dia 1º de maio é tido como o Dia do Trabalho ou o Dia do Trabalhador. Tal data foi escolhida em razão de uma onda de manifestações e conflitos violentos que se desencadeou a partir de uma greve geral. Essa greve paralisou os parques industriais da cidade de Chicago(EUA), no dia 1º de maio de 1886. Para compreendermos os motivos que levaram os trabalhadores a tal greve e o porquê da escolha desse dia como marco de memória, é necessário conhecer um pouco do contexto do período.
Sabemos que, durante o século XVIII, ocorreu, em solo inglês, um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade: a Revolução Industrial. Da Inglaterra, o processo de industrialização alastrou-se, inicialmente, pela Europa e, depois, para outros continentes, como o americano. Uma das consequências mais patentes da Revolução Industrial foi a formação de grandes centros urbanos, fato que gerou, consequentemente, uma grande concentração de pessoas em seu entorno, sobretudo de operários, cujo trabalho nutria as indústrias.
A formação da classe operária demandou uma série de necessidades que nem sempre era efetivamente cumprida pela burguesia industrial. As horas trabalhadas eram, muitas vezes, excessivas e a relação entre empregado e empregador nem sempre era amistosa. Nesse contexto, surgiram os sindicatos e os movimentos de trabalhadores, orientados por ideologias de esquerda, como o anarquismo (anarcossindicalismo) e o comunismo.
A principal forma de ação das organizações de trabalhadores com vistas à exigência de direitos era a greve. A greve geral tornou-se um instrumento de pressão frequentemente usado. Entretanto, às greves também se juntavam outras práticas, como a ação direta, que consistia em manifestações violentas. A greve geral de 1º de maio de 1886, em Chicago, resultou em forte repressão policial. Tal repressão estimulou ainda mais manifestações que transcorreram nos dias seguintes.
No dia 04 de maio, em uma manifestação na praça Haymarket, na cidade referida, uma bomba explodiu matando sete e ferindo dezenas de pessoas, entre policiais e manifestantes. A explosão de tal bomba provocou o revide dos policias com tiros sobre os manifestantes. Outras dezenas de pessoas morreram na mesma praça. Esse conjunto de eventos, desencadeados a parir de 1º de maio, tornou-se símbolo para as manifestações e lutas por direitos trabalhistas nas décadas seguintes em várias partes do mundo.
No caso específico do Brasil, a menção ao dia 1º de maio começou já na década de 1890, quando a República já estava instituída e começava um processo acentuado do desenvolvimento da indústria brasileira. Nas duas primeiras décadas do século XX, começaram a formar-se os movimentos de trabalhadores organizados, sobretudo em São Paulo e no Rio de janeiro. Entre esses movimentos, também figuravam ideologias como o anarcossindicalismo, de matriz italiana, e o comunismo.
Em 1917, a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves gerais já registradas. A força que o movimento dos trabalhadores adquiriu era tamanha que, em 1925, o então presidente Arthur Bernardes acatou a sugestão que já ventilava em várias partes do mundo de reservar o dia 1º de maio como Dia do Trabalho no Brasil. Dessa forma, desde esse ano o 1º de maio passou a ser feriado nacional. Na época do Estado Novo varguista, a data era deliberadamente usada para eventos de autopromoção do governo, com festas para os trabalhadores e muitos discursos demagógicos.

Mais sobre o episódio;