segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Entidades repudiam "desmonte" da Rádio e TV Cultura, leia carta de protesto;



A Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão (Frentex) vem a público repudiar o desmonte da RTV Cultura promovido pelo governado do Estado de São Paulo.

A notícia das 150 demissões ocorridas na RTV Cultura de São Paulo na última segunda-feira, dia 7, só confirma a intenção do PSDB de desmonte da única emissora pública paulista, que faz parte do patrimônio do povo.

A emissora enfrenta uma das maiores crises de sua história. Já foi amplamente divulgado na mídia que o projeto da atual gestão da Fundação Padre Anchieta, ligada diretamente ao governo de São Paulo, é reduzir o quadro de funcionários e efetuar corte de verbas em algumas de suas produções. Com isso, pretendem economizar as custas dos empregos e da qualidade da programação da emissora, alterando inclusive o papel social da Fundação, gestora da TV Cultura.

Para honrar o Estado democrático que conquistamos após anos de arbítrio, é necessário que a TV Cultura propicie programação de qualidade, jornalismo independente e ético, participação da sociedade em seu Conselho Administrativo e condições de trabalho dignas a todos os funcionários.

O Estado de São Paulo não pode ser mero espectador no processo de avanço da democratização dos meios de comunicação que está sendo discutido em nível nacional, idéia que se fortaleceu mais ainda após a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, da qual o movimento social paulista teve grande representação, apesar do boicote promovido pelo governo do Estado.

Nesse sentido, defendemos um amplo debate sobre o papel da TV Pública no Estado de São Paulo para que ela continue sendo um instrumento de fortalecimento dos valores e costumes do povo, que tenha diversidade de idéias e de opiniões e ajude no fortalecimento de nossa democracia.
São Paulo, 10 de fevereiro de 2011.

Entidades que assinam a nota:

ABRAÇO/SP, Campanha pela Ética na TV, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, CTB/SP, Cidadania e Saúde, Ciranda da Informação Independente, Coletivo Intervozes, Coordenação Nacional de Entidades Negras/Conen-SP, Conselho Regional de Psicologia - CRP, CUT-SP, Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa - FJLP, Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ, Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Movimento Sindicato é pra Lutar, Observatório da Mulher, Revista Debate Socialista, Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo, Sinergia CUT (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de SP), União Brasileira de Mulheres, União Estadual dos Estudantes, União de Mulheres de São Paulo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Depoimento de funcionário demitido da TV Cultura



Por Paulo Eduardo Franchini Fontes, no Luis Nassif Online

Eu sou um dos 150 dispensados da última leva e trabalhava no depto de computação gráfica da emissora como prestador de serviços “autônomo”. Sou um bom profissional e, como tantos outros, estou mais que apto a trabalhar em qualquer outra emissora ou produtora de vídeo, portanto não fico tão abalado financeiramente. O que me abala de verdade é a grosseria desse senhor João Sayad e seu staff .
Imaginem um imenso barco a vela, cheio de cabos complicados, sistemas de roldanas e marinheiros especializado, gente que domina a navegação há anos, sendo pilotado por um motorista de ônibus daqueles bem xucros que sabem dois comandos: acelerar e frear. Então, esse motorista é o Sr João Sayad comandando o veleiro, que é a Tv Cultura.
Nossa querida Tv Cultura, que tem uma história brilhante, por onde passaram profissionais das mais variadas áreas e onde tanta gente famosa e de talento fez carreira, hoje é palco de escândalos, corrupção e muita sujeira, (que ainda virá a tona) principalmente dos que não possuem qualquer sensibilidade artística ou cultural. Pelo contrário, são déspotas que assumiram o controle em nome de uma pretensa “limpeza” na estrutura da emissora, mas que na verdade estão demitindo somente quem verdadeiramente trabalhava lá.
Hoje, quem comanda a Cultura, são os verdadeiros cabides de emprego. Querem todo o dinheiro pra eles e que se dane o telespectador que assiste a Tv.
A Tv Cultura é um direito do público que paga impostos para ter uma Tv digna para suas famílias. Ela foi fundada sob esses auspícios e tenho convicção que qualquer alteração em sua programação, deveria ser feita em plebiscito e não por ditadores corruptos como esse e tantos outros que por lá passaram.
E tenho dito…

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

TV Cultura nas mãos do governo do PSDB: "Desmonte do patrimônio público"

Trabalhadores da TV Cultura em Assembléia, na greve de 2009

É com desgosto que o povo paulista vê como sua TV Pública é tratada nas mãos de quem deveria ter a obrigação de zelar e não desmontar um patrimônio público. A demissão efetuada pela direção da TV Cultura, seguindo a linha de raciocínio do governo de Geraldo Alckmin, demonstra não só a debilidade conceitual, a respeito de uma TV Pública, mas também o descompromisso em fazer uma TV alternativa ao seguimento comercial que se apresenta com tão baixa qualidade. A tristeza desses 150 trabalhadores, por perder seus empregos, se soma a desesperança de termos uma TV Pública perdendo sua qualidade.

Os trabalhadores da Rádio e TV Cultura devem estar atentos. Ano após ano, os governos do PSDB no Estado de SP, já demonstraram inúmeras vezes que não tem compromisso nem com os trabalhadores, nem com o povo paulista. Por acreditarem que toda solução vem do "mercado", não titubeiam em aplicar receitas conservadoras e neoliberais, no sentido de ajustar uma empresavocacionada para o lazer, a cultura,o ensino e o entretenimento de qualidade, para configuração de uma TV Pública sem qualidade. Por isso é imperativo que todos os trabalhadores, sejam eles jornalistas, radialistas, além de seu núcleo administrativo e artístico, se atentem ao seu único instrumento de defesa que é o Sindicato.

Somente um Sindicato classista e comprometido com essa visão de TV Pública, é que poderá liderar o combate a ser travado com quem tem apenas o interesse de atacar o conceito de TV Púlbica. O envolvimento da sociedade organizada e da população com os trabalhadores, é que poderá retroceder os ataques perpetrados e colocados em ação à emissora, no intuito de promover seu desmonte. A diretoria do Sindicato dos Radialistas, com a presença de seus diretores João e Sérgio Ipoldo, acompanham de perto as movimentações na emissora e de prontidão orientam todos os trabalhadores a se organizarem, pois somente a organização de classe é que pode combater, eficazmente, quem dilapida e destroi um patrimônio público como a TV Cultura.